quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Pensamentos Soltos - Ser Ator

Acho que coisa de uns dois anos atrás eu ainda tinha outra ideia sobre o que ser ator é. O estudo e a prática do Teatro acabaram me dando outro conceito, mas de forma ainda bem indefinida.  Até mesmo o blog, que nascia em conjunto com esse estudo tinha outras características, partilhando cada vírgula, cada momento como uma vitrine de "olha como é legal o que eu estou fazendo, vou ser, ooooh! Ator".

É isso, entrei na busca da profissionalização em Teatro por um desejo franco do meu ego. Ser ator tinha alguma áurea de nobreza que diferenciava, no meu imaginário, o ator de outros míseros mortais. Hoje não enxergo mais assim.

O ator rala  para conseguir contar uma história para outras pessoas. Sou ator em processo formação acadêmica (pois ator nunca se forma por completo), e pra isso preciso acordar 5h da manhã e trabalhar num escritório de Segunda à Sexta. E mesmo que um dia eu trabalhe só com o teatro, não vai dar pra acordar 2h da tarde, pois duas horas de espetáculo levam meses (ou anos) para ficarem prontas.

Mais importante do que os aplausos, são as dificuldades enfrentadas para conseguir contar bem a história de um personagem. Isso você aprende conforme o correr da carruagem, se estiver sendo fácil, alguma coisa está errada. Você pode enxergar as dificuldades de outra forma com a experiência, mas elas vão estar ali, te desafiando.

Conforto não combina com o ofício de ator. Não falo que um ator não possa ser rico e ter comodidade, mas ele precisa sim, estar incomodado com alguma coisa - que seja a falta de uma massagem no ego - que o mova a estar ali no palco fazendo algo verdadeiro.

Nesses quase três anos, vi que a responsabilidade que envolve a arte não permite um ego inflamado, latejante por atenção. Comparação besta mais serve: encanta mais uma criança fazendo manha, ou uma criança falando sozinha, brincando verdadeiramente com sua imaginação, seu faz-de-conta?

E agora vejo que sigo um caminho sem volta: o teatro se enraizou em mim, por um sem-número de motivos que não vou conseguir explicar em uma vida.

Acho que esses pensamentos vieram depois de uma primeira apresentação emblemática fora da escola, no meu último aniversário.


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