sexta-feira, 2 de março de 2012

De frente com as personagens

Quase isso
O nosso estudo inicial para o exercício cênico (eufemismo para peça) do semestre baseia-se num método que a Célia Luca, professora da escola, conheceu quando foi aluna de Eugênio Kusnet. Ela participa da nossa aula às quarta-feiras e conduz o exercício de entrevista com os personagens.

A cada semana, temos como lição de casa construir a gênese de algumas (duas ou três, geralmente) personagens. Na aula seguinte é realizado um sorteio para determinar quem irá interpretar a personagem na entrevista, essa pessoa então sai da sala, prepara-se tomando o tempo que achar necessário, e entra. A partir desse momento o ator ou a atriz não poderá desconstruir a personagem até que a entrevista termine (não é estabelecida uma duração, claro, dentro de nossas limitações como o horário do último ônibus).

Na sequência, as demais pessoas do grupo começam a fazer perguntas para conhecer melhor aquela pessoa (assim devemos encarar a personagem, alguém desconhecido). Perguntando coisas que sabemos pela leitura e análise do texto e também coisas desconhecidas que o ator deverá ser rápido para pensar numa solução caso não tenha pensado em determinado aspecto da personagem  quando construiu a gênese.

Claro que com o meu pé quente (ironia mode on), fui o sorteado da última aula. Aliás, não fiquei nervoso com a situação porque também é preciso lembrar de que não há certo ou errado nesse exercício (e também porque já tinha feito isso no núcleo de pesquisa que participei no ano passado). Essa situação deve ser encarada como uma experiência para descobrir coisas que funcionam e justificam as ações da personagem, as relações que ela mantém, bem como descobrir o que não funciona, foge à lógica ou o sentido do texto.

Sentá lá, cláudia.
O engraçado da minha entrevista foi que a personagem em questão era uma mulher, pois o sorteio de ator  não distingue gênero. Tive certa dificuldade para conter o riso vendo a cara dos colegas rindo da minha interpretação feminina em alguns momentos, mas serviu para acharmos aspectos muito interessantes para a personagem que irão ajudar futuramente o ator ou a atriz que realmente irá interpretá-la.

Apenas para dar um exemplo, a personagem começou com um ato falho, dizendo que sobrenome dela era Rodrigues ao invés de Fernandes. A saída encontrada por ela foi dizer com timidez que já sonha com o seu nome de casada. E essa é justamente uma personagem que integra a trama romântica da história.

No fim das contas, é gostoso de se fazer isso. Eu pelo menos sinto-me uma criança descobrindo um mundo de novidades desconhecidas do meu mundo, há um prazer em sentir também que você encontrou saídas para responder perguntas inesperadas, nada explica a sensação de precisar de um tempo para sair da personagem devido ao modo que a entrevista te joga bem fundo pra dentro dela.

E para além de se aprofundar na compreensão das personagens, enquanto grupo de trabalho passamos a conhecer e entender melhor como se dão as relações sociais no contexto da peça, os conflitos entre as pessoas, e fazemos descobertas que nos darão subsídios para, em junho deste ano, atuarmos com segurança em nosso derradeiro "exercício cênico".

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