domingo, 12 de fevereiro de 2012

Luis Antonio Gabriela


Direção: Nelson Baskerville
Elenco: Marcos Felipe, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Lucas Beda, Virginia Iglesias e Day Porto


A experiência de assistir Luis Antonio Gabriela começou com frustração. Na primeira ida ao Teatro não consegui comprar a entrada, pois os ingressos já estavam esgotados mesmo a bilheteria abrindo só duas horas antes do espetáculo. O remédio foi retornar na semana seguinte com mais antecedência e constatar que essa frustração seria a única.

É uma peça que termina em aplausos incessantes e emociona o público pela beleza e pela história real. É a realidade que torna tudo ainda mais belo e também mais dolorido. Ainda mais pelo fato de não ser o relato de um terceiro, mas do próprio diretor Nelson Baskerville que compartilha com muita coragem uma história familiar que mexe em feridas profundamente abertas, de cicatrização difícil.

Luis Antonio, Tonio ou Bolota, que mais tarde tornou-se Gabriela, é o irmão 8 anos mais velho de Nelson que abusava sexualmente dele. Porque “nasceu no corpo errado” ele teve uma série de problemas por causa do preconceito para viver na sociedade tal como conhecemos e acabou saindo casa. Depois de um tempo, sai do país e a família vê-se livre de um problema e nem procuram mais saber dele.

Por mero acaso, passados quase 30 anos, a família volta a ter notícias. Descobrem que Luis Antonio agora é Gabriela, morava em Bilbao, era viciada em cocaína e a AIDS era a menor de suas doenças. Mesmo assim, Nelson nunca retornou a encontrá-la e nem ao seu enterro foi. “Fiz esse espetáculo”, conta o diretor no programa da peça.

A partir de memórias e relatos, a peça vai narrar a trajetória então de Luis Antonio do seu nascimento até a morte. Engana-se quem pensar que é uma peça só de temática LGBT por contar a história de um travesti. É universal, humana, expõe questões sociais, familiares, existenciais e muitas outras.

Sem usar de realismo na forma de contar essa história, com uma estética que mistura elementos surreais e Brecht (quando os atores se apresentam e contam qual papel irão representar, por exemplo) para fazer o que tem se chamado de teatro documentário ou documentário cênico que não passa nem perto da forma cinematográfica que conhecemos de documentário.

A documentação é a base da dramaturgia, mas não sua forma final. A atuação de todo elenco é impecável, de dispensar comentários e não chega texto a respeito que faça jus à magnitude desse espetáculo. O conselho amigo é: assistam enquanto ainda dá tempo até o dia 26/02 na Funarte.

Funarte
Endereço: Alameda Nothmann, 1058
De quinta a domingo às 21h30. A bilheteria abre duas horas antes. R$ 5,00
Local da apresentação: Sala Carlos Miranda. De 12/01 a 26/02.

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