quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Entre Quatro Paredes

Elenco: Fábio Stancius, Lucianny Bianco, Marcelo Magalhães, Suelen Almeida e Thalita Marangon
Orientação: Pedro Ancantara
Texto: Jean-Paul Sartre


Foto: Ana Paula Lazari

Esse texto do Sartre é simplesmente a minha dramaturgia preferida de tudo que eu já li até hoje. O existencialismo do pensamento de Sartre é trazido por três personagens que estão mortas, ou melhor, "ausentes" como preferem se tratar a reconhecer que deixaram de viver no mundo tal qual conhecemos. E assim, somos levados a conhecer o inferno, ou parte dele, o inferno daqueles três ausentes. Um "way of dead" nada muito cristão.

É um texto  difícil de ser montado, pois é denso, emblemático, profundo. A turma 47 encarou o desafio no seu quinto período e o dificultou ainda mais o desafio de montar o texto, dobrando os papéis e deixando os dois atores sempre em cena, espelhados. Dois atores interpretam Garcin, duas atrizes interpretam a Inês. Cria um jogo de cena muito interessante esses dois pares de um mesmo ser espelhados por atores bem únicos.

Para um elenco de cinco atores, Estelle foi a personagem escolhida para ser representada por uma única atriz e o curioso é que a personagem tem como uma de suas principais características o narcisismo e precisa de espelhos e de ser ver para ficar em paz. Parece uma escolha de sublinhar o pior castigo para aquela personagem no inferno: não poder ver a sim mesma. Os outros também não podem, mas pouco ligam para o fato. Ao mesmo tempo que Estelle se torna o espelho, ao centro refletindo para cada lado do espaço de encenação um Garcin e uma Inês.

A encenação do inferno é representada no palco italiano, mas todas as cadeiras do público estão no palco. Estamos a um passo do inferno, formando essas quatro paredes que os cercam e resumem o inferno ao qual eles estão presos, literalmente amarrados, qual indica o figurino todo feito de tramas de cordas.

A peça utiliza de boas saídas e recursos estéticos, como o uso de projeção para a representação do criado (André Felix) com vídeo em sincronia perfeita, algumas velas e, como já mencionado, as cenas espelhadas dividas entre os atores que dobram os personagens.

É preciso de coragem para estar no inferno, enfrentando os carrascos. Mais coragem ainda para montar um texto existencialista. E essa coragem marca uma grande evolução da turma 47, que apadrinhou a minha turma na Fundação das Artes, a única que acompanhei todos os exercícios até hoje (Sem mais delongas Suassuna só assina, Peões em Cena e Maçã) e agora vai se preparar para montar o espetáculo de formatura para o segundo semestre deste ano.

Merda, padrinhos!

Foto: Ana Paula Lazari



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