segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Música para cortar os pulsos

Texto e direção: Rafael Gomes
Elenco: Fábio Lucindo, Mayara Constantino e Victor Mendes




Três jovens conversam com uma plateia contando a mesma história, falam de suas angustias, anseios e sentimentos. São monólogos cruzados que abrilhantam uma história. Se fosse apenas encenada ou contada por um único narrador não teria o mesmo encanto.

Esse encanto acontece porque eles refletem e verbalizam, com dificuldade claro, sobre sentimentos e expõem pensamentos que geralmente ficam apenas na gênese do personagem e servem ao ator no processo de construção da personagem e não chegam ao público. E esse é o grande mérito da história, conseguir tocar a plateia com a angustia de todos seus personagens.

E assim, com essa narrativa guiada pelo pensamento dos personagens, eles falam sobre amor, principalmente. Esse problema universal.

Falar de amor gera uma identificação aparentemente instantânea, ainda mais quando fala-se expondo o quanto não sabemos lidar com esse sentimento o qual discute-se quem o classificou dessa forma. Como saber se tal sentimento é igual para todo mundo, se pode ser infinito ou se tem prazo de validade, se é bom ou se é ruim? Enfim, um clichê necessário do qual nunca escapamos. Ainda bem. Afinal, quem não gostaria de viver um bom clichê?

E parece que essa tema está em pauta há muito tempo. Shakespeare que o diga. O texto é toda referências ao autor e à trechos músicas de todos os estilos que entram nas falas com sacadas precisas. E, além do texto bem construído, cenário, sonoplastia, luz e interpretação reservam gratas surpresas ao longo do espetáculo.

A peça consegue ser leve e densa ao mesmo tempo, pois as cenas são distribuídas com equilíbrio. A anunciação de cada cena a se iniciar, tem um quê de teatro épico, mas não cumpre função de despertar o espectador para refletir sobre um problema social, mas sim para um problema humano que é individual e coletivo ao mesmo tempo. São doses de razão em meio às emoções. Portanto, identifique-se com a história, emocione-se, aflija-se, ria, mas ei! Pense um pouco a respeito.

Há uma provocação eficaz a uma reflexão nesse triângulo amoroso às avessas que flutua a entre o universo jovem da amizade e do desejo e, principalmente das dúvidas. Todas elas.



Um comentário:

  1. Parabéns pela arte,pelo trabalho e pela beleza.

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    Abraços
    Djalma França e Maísa Magalhães

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