terça-feira, 13 de setembro de 2011

Hedwig e o Centímetro Enfurecido

Elenco: Pierre Baitelli, Felipe Carvalhido e Eline Porto
Músicos: Diego Andrade (bateria), Fabrizio Iorio (teclado), Melvin Ribeiro (baixo), Pedro Nogueira (guitarra)
Autor: John Cameron Mitchell
Letras e Música: Stephen Trask
Direção e Adaptação: Evandro Mesquita
Tradução: Jonas Calmon Klabin

Hedwig não foi concebida no circuito Broadway e sim no off-Broadway, mas aqui no Brasil, em São Paulo, sua montagem fica em cartaz no Teatro Nair Belo, dentro do shopping Frei Caneca. O nome completo da peça é Hedwig e o centímetro enfurecido. O porquê do centímetro enfurecido eu não conto, mas se você não se contém de curiosidade, o próprio diretor da peça entregou o ouro em entrevista ao Jô Soares (deixe-me usar o Google para você).

O meu primeiro contato com Hedwig foi no espetáculo Festa de Separação. Entre as diversas  divagações sobre amor do espetáculo, eles contam a história do Mito do Andrógino, contida no Banquete de Platão. E nesse momento eles comentam e exibem um trecho do filme Hedwig e a canção The Origin of Love que conta a mesma história do mito. E vale muito a pena ser ouvida:


A narrativa de Hedwig é envolvente. É a/o própria/o personagem contando sua história que tem seu início na Alemanha dividida pelo muro de Berlim, uma relação difícil com a mãe e uma cabeça dentro de um forno de um pequeno apartamento onde aconteceu toda a educação musical do/a protagonista.

Além disso, a peça usa de muitas passagens metafóricas remetendo ao próprio mito do andrógino. O personagem dobrado no início da história que chega a usar um casaco de pele em conjunto que depois fica sozinho e se reencontra com a outra parte em uma forma diferente. E também toda a transição da imagem feminina para a masculina.

O espetaculo é muito bem produzido e muito contagiante (musicais geralmente são). Cenário, música (banda), figurinos e projeção visual são um show a parte. Apesar do som estar estourado, o que começa a incomodar ao longo da peça. Os atores são muito versáteis e esbanjam talento (claro que a superprodução ajuda muito nesse tonus). É preciso destacar a única mulher do palco, Eline Porto, que desempenha um papel coringa brilhantemente, acertando a dose do espetáculo de uma maneira geral.

Sou suspeito para recomendar musicais, mas esse tem sim seu valor e sem sombra de dúvidas é melhor do que Mamma Mia. Contudo, quem já conhece o filme e as suas canções originais precisam ir de coração aberto para ouvir as versões em português.

E confesso que imprimi em mim o desejo de um dia encenar um espetáculo travestido, parece muito divertido. Mais uma meta pra minha vida.




Um comentário:

  1. Hahahaha.

    Adorei a ideia de você se travestir pra um espetáculo. Seria bem legal, mesmo. Super apoio.

    Beijoca do seu namorado.

    BM

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