terça-feira, 19 de julho de 2011

Vai te catar

Concepção geral, textos, direção musical, "spoken words": Roberta Estrela D'Alva

foto: Serguei

Com um nome tão convidativo, não tinha como não ir assistir a tal espetáculo, ainda mais de graça. Algumas informações de bastidores eu já sabia a respeito (já tenho meus contatos): uma parafernalha de luz seria usada nesse monólogo.

Muita luz para uma atriz. Isso ajuda a criar muitos, muitos ambientes. É tudo muito dinâmico e particular, pessoal. Ela nos fala tudo com propriedade e conhecimento de causa: são experiências, impressões, vivências, mágoas, sonhos: um apanhado geral de tudo.

Agora, eu que adoro uma cultura meio Trash 80’s considerei o ponto mais alto do espetáculo um momento de black out com a atriz calada.

(Insira aqui a sua pausa dramática)

Nada contra o resto do espetáculo ou fusquinhas, achei ótimo também. Mas o que pode ser um pout pourri de uma mistura de várias músicas que vai de Xuxa a Beto Barbosa  senão sensacional?

Nesse momento, reparei que nesse apanhado de músicas, as da Xuxa ganharam certo destaque decerto por algum motivo: era o próximo assunto da nossa iluminada atriz. Que discorreu sobre o sonho dela (e de toda menina nos anos 80): ser paquita. “Poxa, falavam pra gente que a outra lá era rainha!”.

Ela discorre sobre outros assuntos que vão além da crueldade de sujeitar meninas a achar que ser bonita é ser loira e só assim ser boa o suficiente para quem sabe virar uma paquita até a tranformação das canções de Rap que antes protestavam e hoje apenas falam de status, dinheiro, poder e mulheres.

Ah, Vai te catar!

E assim segue com muitas outras críticas que nos arrancam risada da dor de serem realidades tão verdadeiras. Também há canções, causos, dança, performance... São vários espetáculos em um só e uma mulher só. E as luzes e os sons (que são muitos) acompanham, sempre acompanham. Lembra bastante a peça Mercadorias e Futuro em diversos aspectos de concepção estética.

Espia só:

Um comentário:

  1. Artista completa, isso sim! Fiquei maravilhada com a simplicidade e complexidade, ao mesmo tempo, desse monólogo. Belo texto!!

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