segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sobre borboletas e bla bla bla

Participar de oficinas sempre foram experiências prazerosas. Ainda mais quando se faz parte de um grupo, poder sair dele e ter experiências com gente diferente é muito enriquecedor. E agora, com o advento do Cena de Teatro 2011, me inscrevi para participar de duas oficinas oferecidas. A primeira delas aconteceu no último sábado e foi assim:

14h. Chego e cumprimento o pessoal. Nenhuma notícia ainda sobre o Hélio Cicero, que havia apresentado no dia anterior no espetáculo As Folhas de Cedro. Esperar parece ser a alternativa, ficamos do lado de fora do gigante Teatro Paulo Machado de Carvalho, tomando um sol, nesses dias frios.

Chega uma estranha, na verdade uma pessoa bem normal, mas não era aluna da fundação, a Danúbia (nome meio estranho), que talvez faça o teste para começar a estudar teatro. A incentivei bastante nesse sentido. Quando ela chegou, anunciei:

“Tem uma borboleta no seu lanche”


Não é um lacinho, é uma borboleta. Um segundo depois de bater a foto, a borboleta voou incomodada com o assédio dos paparazzi e tal.

E tinha mesmo. Teve essa borboleta que cuidou de fazer o nosso tempo passar junto com o nosso papo. Ela estava com as asas machucadas.

Conheci a estranha fobia da Talita por borboletas, mas ok. E esse Hélio, hein? Nada de chegar. Será que acha que a oficina vai ser no mesmo teatro que ele se apresentou?

Chegou se desculpando, mas ninguém achou muito ruim o atraso, que passou despercebido entre borboletas que pousavam em lanches e cabelos e pessoas novas para serem apresentadas.

Estranhei ver um português tão claro ser falado por ele. No espetáculo da noite anterior, aquele personagem libanês tinha um sotaque tão convincente...

Enfim, me vi com os pés descalços sobre o palco e agora nos aquecíamos com alguns meios orientais. Estratégia ótima de concentração e consciência corporal: acompanhar com os olhos os movimentos das mãos.

Compreender ritmo. Andamos e dançamos na diagonal do palco ao som de músicas animadíssimas ponto de exalarmos purpurina. A mesma compreensão de ritmo agora deveria servir para uma criação mais cênica. Desafiador, mas funcionou.

Criamos, compartilhamos e observamos.

Compreender e diferenciar performance, gisnatica, e teatro é fundamental para o ator (ou algo semelhante), disse.

Água, bolacha, pés agora calçados e segunda parte: a voz. Sentados aquecendo e bla bla bla, caploviski, grotowisk, shernobil, asereje, macarena, inha, olo, ogum, tum tis pas. Blabação ou qualquer coisa que não faça sentido, mas tem fundamento.

Três horas que poderiam ter sido trinta, sem problemas. Rápido, curto. E o compartilhamento de 0,03% de tudo o que Héilio Cicero já pesquisou na vida como ator. Formação de ator não tem fim, mas aquela oficina teve.

Correr para chegar a tempo do espetáculo das 18h. Na carona, André e Danúbia (que poderia muito bem ser Gabriela Pompemeyer, divago). Pit Stop: lanchinho sem chá mas poderia ser com leite com mel, mas recusei.

“Ingrato! Onde mais te ofereceriam leite com mel?”, disse o André (foto com borboleta no destaque) mais tarde quando reclamei do chá que não veio ao tomar um chá no saguão da Fundação.

Mas eu não tomo leite.

Um comentário:

  1. Foi maravilhoso!!! para mim foi um reencontro depois de 12 anos! Hélio Cícero foi meu primeiro professor de corpo! Tô ficando véia!! O melhor de tudo foi perceber minha evolução!!! Não errei nenhuma vez esquerda direita!!! Foi muuuito bom compartilhar este momento com todos vocês!!

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