terça-feira, 5 de julho de 2011

Maçã

Elenco:  Fábio Stancius, Lucianny Bianco, Marcelo Magalhães, Sérgio Sasso, Suelen Almeida e Thalita Marangon
Orientação: Melissa Aguiar 


Sem palavras. E assim eu gostaria de poder encerrar esse texto que não acaba aqui mas, prometo, será breve. No entanto, acredite: essas duas primeiras palavras é o que mais fielmente (se é que isso é possível) descrevem o exercício cênico Maçã da turma 47 e o estado que o mesmo me deixou.

Sob o tema Identidade a turma 47 desenvolveu o processo que originou esse espetáculo que já começava ao retirar seu ingresso naquela Kombi coberta de fotos, você recebia sua identidade, marcava sua impressão digital e podia se dirigir ao saguão aguardar o começo. Uma dúvida. Estava começando ali?

Por que andam em círculos? Por que ela não para quieta em um lugar só para se maquiar e por que estão segurando a buzina da Kombi de um modo ensurdecedor agora?

Seguimos para a sala onde pudemos antes mesmo do espetáculo começar de fato verificar o que esse processo de investigar a identidade fez com os atores: os deixou nus, trouxe conflitos da alma à flor da pele. Coisas para as quais não bastam as palavras. Era um prenúncio do que estava por vir, e veio.

Foi um espetáculo onde não vi a hora passar e a minha coluna não parava de inclinar-se pra frente para acompanhar melhor tudo: a mulher-escada, o homem de chapéu, o barulho do liquidificador, as imagens projetadas.

Com poesia em movimentos, tudo é uma espécie de coreografia que causava sensações. Alegria, angústia, medo, pavor, felicidade, leveza, riso, choro... Uma de cada vez, ou todas ao mesmo tempo. Variava.

Me encantou a entrega do elenco. Era claro que eles estavam de corpo e alma fazendo aquilo. 

Confesso que ao sair do espetáculo cheguei a comentar que senti falta de mais texto, mas hoje já me questiono, pois palavras não eram necessárias. Aquilo bastou, aquela forma é bela. E ainda: é universal.

Ah, a beleza da subjetividade. O teatro não existe apenas para contar histórias, mas também para isso que eu não consigo definir o que é. Apenas o sinto. E por isso, repito. Sem palavras. E não é vazio, é muito cheio e pleno. É ótimo.

Conheci a identidade da turma 47 através de Maçã. E você, quem é, qual é a sua identidade?

Fotos: Ana Paula Lazari

4 comentários:

  1. Também achei lindo, e fiquei sem palavras. Só posso dizer que a gente precisa muito mais disso na Fundação!

    ResponderExcluir
  2. Rodrigo, seus textos foram sempre bem escritos, enxutos e diretos, porém, jamais pensaria que você relatasse de uma maneira simples e delicada o que sentiu e absorveu em nossa APRESENTAÇÃO, não que você não fosse capaz, mas na maneira com que ela "tocou" em você! As críticas são ótimas, sejam boas ou ruins, pois fazem com que ampliemos nosso campo de visão. Enfim, esse processo, em minha concepção, foi o mais prazeroso e o mais pleno, principalmente em sintonia e profissionalismo com o grupo. Pode ter certeza, fizemos de corpo e alma para a platéia e o nosso único intuito foi levar algo diferente e agradável aos que nos assistiram. Tudo isso aconteceu por mérito de todos, todavia, se não fosse a DIREÇÃO da nossa "Flor" Melissa Aguiar, nada disso teria acontecido. O meu MUITO OBRIGADO e da Turma 47!!! Fábio Stancius

    ResponderExcluir
  3. Um espetaculo marcante, interessante e instigante!
    Que nos convida a refletir sobre nossa personalidade. Conseguiu prender minha atenção do começo ao fim!
    Os atores estavam extremamente presentes, foi um ótimo trabalho de expressão corporal.

    Parabens ao elenco e a Melissa Aguiar pelo exelente trabalho!

    ResponderExcluir
  4. Minha identidade ou existência... Apenas para servir...Dar ao público, as pessoas beleza. E obrigado pela beleza de suas palavras

    ResponderExcluir

Atormenta aí!