sábado, 23 de julho de 2011

Festa de Separação

Concepção, execução e músicas: Janaina Leite e Felipe Teixeira Pinto
Direção: Luiz Fernando Marques

Como surpreender no teatro?



O público sempre tem determinadas expectativas quando vai ao teatro. Fazer algo dentro dessas expectativa é o que pode ser reconhecido como uma medida de segurança. Aqui, em nosso país tupiniquim, a fórmula mais segura para agradar um público criado tomando mamadeira em frente à TV é contando uma histórinha, com início meio fim e de preferência, feliz.

Teatro pressupõe ficção. As vezes usa a realidade como fonte de inspiração ou a reproduz. Mas quem disse que tem que ser assim? Festa de Separação leva realidade ao palco. Assim, a atriz Janaina é Janaina e o músico (não ator) Fepa é o Fepa.

Numa conversa informal o publico é dividido em parte do ex-noivo e parte da ex-noiva, tal qual assentos de igreja no casamento. E eles começam a nos contar de forma simultânea, coisas diferentes, mas falam da mesma coisa. A história que os levaram a estar ali: foram casados e parceiros artísticos; não são mais casados, mas obviamente seguem com a parceria.

No fim de um relacionamento é comum lançar mão do seguinte recurso: tiranizar a pessoa com que viveu por tanto tempo, ignorando boas lembranças para tornar tentar seguir a vida de forma mais fácil.

Pois é, eles não quiseram isso. Fizeram o contrário e resgataram todas as boas memórias. E contam também como foi a lua de mel da separação, e como foram essas tais as festas de separação que eles fizeram. Separados, claro. Ela dava as festas dela e ele, as dele. Afinal de contas, festas servem para celebrar um evento. Uma separação é um evento.

Essas festas possuíam o intuito de gerar mais material para integrar o conteúdo da peça.

O Fepa é um cara muito documental, registra tudo a todo momento em vídeo. Inclusive participei de uma oficina com o ex-casal (próximo post) e muitos momentos foram por ele resgistrados. Assistimos a muitos vídeos desses momentos e muito mais do que eles viveram é compartilhado no palco: cartas trocadas, músicas, presentes...

Além da história pessoal, eles refletem sobre o amor, claro. Compartilham depoimentos gravados de outras pessoas, cenas de filmes e convidam o público a contarem suas histórias.

A pergunta que inicia o post não é algo que deve ser buscado pelo teatro, surpreender. Mas vale sempre olhar para o teatro não como algo limitado, fechado à formas já bem sucedidas e rotuladas e arriscar. Eles fizeram isso.

Pra que rotular o teatro? Pra que rotular também relacionamentos? Eles com certeza não possuem um rótulo para o que vivem hoje. O espetáculo, por falta de um tem dois: documentário cênico e teatro documentário. Pergunta: faz diferença?

Mas a pergunta latente do público é: Será que um dos dois já teve um novo relacionamento após a estréia da peça que ficou em cartaz por mais de seis meses?

Tudo bem trabalhar com o ex, mas trabalhar contando a história que você teve com ele? Meio complicado. Se bem que um convite para assistir ao trabalho resolveria. E a pessoa ainda ia sair pensando em como vai ser a nova festa de separação dela sem medo de ser feliz.

Tem vídeo ó (lógico):


Um comentário:

  1. Teatro- documentário: gosto muito desse gênero, antes desconhecido por mim. Essa peça ainda me impacta, uma semana depois. Acho que nunca vou esquecer todos os tapas na cara, todas as lágrimas e todos os momentos sublimes proporcionados por estes dois...

    ResponderExcluir

Atormenta aí!