sábado, 16 de julho de 2011

E agora, Nora?


Direção: Joana Dória de Almeida
Elenco: Joana Dória de Almeida, Lívia Piccolo e Sofia Boito
Texto: Cia. Temporária de Investigação Cênica (http://ciatemporaria.blogspot.com/)

Antes de ler, vale a pena ver o vídeo (aperte o play)



No texto Casa de Bonecas de Henrik Ibsen, Nora um belo dia resolve mudar e fazer tudo o que queria fazer. E agora?

Essa pergunta sagaz, não é feita apenas à Nora. Essa personagem foi claramente apenas um impulso criativo para algo muito maior. Pois em Casa de Bonecas o conflito dramático é resolvido com a decisão de Nora abandonar marido e filhos.

O uso das rubricas de Ibsen como elemento textual cênico serve justamente para transpor o que realmente importa. Não a fala, mas o que se sente. Algo muito maior.

E esse embate sobre forma e conteúdo segue do início ao fim. Existem críticas a serem feitas, mas não é o papel dessa peça. As três atrizes provocam, em todos os sentidos. E que as provocações nos levem a reagir, ou pelo menos a pensar.

Por isso mesmo não dá para falar que é uma peça feminista (e o vídeo pode passar essa impressão), mas pode desagradar os machistas de plantão. Que, pasmem amiguinhos, ainda existem por aí!

Será que as mulheres carregam algum fardo emblemático ainda como pena ao pecado original? Afinal a maçã está presente do início ao fim parecendo simbolizar esse questionamento. Ninguém te mandou morder a maçã.

E agora, Eva? 
A peça revela, a partir do universo das mulheres, uma reflexão sobre todos nós. Afinal, a escolha da “porta” não é tão simples assim. E ninguém sabe o que esperar do outro lado.

Vemos o espetáculo evoluir do robótico ao humano. Nos identificamos com as ações dos robôs, e temos os mesmos anseios humanos. Revela-se no palco a pele e conseguimos enxergar muito além dela. Conseguimos olhar pra dentro de nós. E agora?

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