domingo, 10 de julho de 2011

As Folhas de Cedro

Estou meio que cobrindo algumas atrações do Cena de Teatro. Acompanhe nos próximos dias.

Texto e Direção: Samir Yazbek
Elenco: Hélio Cicero, Daniela Duarte, Douglas Simon, Gabriela Flores, Mariza Virgolino, Rafaela Puopulo, e Mariana Flores.
Foto:Fernando Stankuns
Ao primeiro sinal ainda haviam murmurinhos na platéia. O que é muito normal, diga-se de passagem, era preciso comentar aquele cheiro de incenso que se alastrava em todo o teatro. O comum é aguardar pelo terceiro sinal para que o público volte a atenção exclusivamente para o palco. 

No entanto, após a segunda badalada, as luzes do palco acendem-se, mas a da plateia não se apagou. O que acontece na sequência já silencia o público. Uma atriz em cena começa a preparar o terreno, demarcando com terra o que saberíamos mais a frente ser o espaço onde aquela história nos seria contada.

Ao fundo caminha lentamente um segundo ator em passos bem lentos. E aqui já se vê que a iluminação do espetáculo é muito caprichada. Ao fim disso, palco vazio. Ouve-se só agora a terceira badalada de Moliere, apaga-se a luz da plateia e o espetáculo inicia.

A história começa a ser contada por aquela que já esteve no palco antes, ela vem nos falar de seus pais imigrantes Libaneses que moravam em São Paulo. Por anseios maiores e desejo pelo progresso, seu pai diferencia-se dos demais imigrantes de seu país e ao invés de tornar-se um mascate em São Paulo, parte para a Amazônia trabalhar como empreteiro na Transamazônica, deixando a família.

A narradora mostra não conhecer com propriedade aquelas histórias, e vai  resgatando-as diante dos nossos olhos, colocando os personagens em cena conforme lhe convém, investigando o passado. Colocando ou retirando dali os personagens, como um resgate de registros perdidos sem identificação.

Com isso, é resgatada a história das especulações acerca da Transamazônica de volta à década de 70, os conflitos familiares surgem, descobrimos que a narradora mal conheceu seu pai, que houve uma outra mulher na vida de seu pai (provavelmente outras) e aquela história nos ganha.

O conjunto todo encanta de tão completo e visivelmente bem trabalhado. Os atores, as culturas contrapostas, a relação presente-passado. Tudo envolve o público naquela história.

Os atores possuem sotaque tão bem elaborado que pode até confundir a quem assiste. É possível crê-los como verdadeiros imigrantes, impressiona. Impressiona também quando uma pequena menina, a atriz Marina Flores, entra no palco, representando a narradora ainda criança.

E fascina ver como o resgate histórico pode instigar a criação artística, ser fonte de inspiração para contar uma bela história. Essa foi bem contada e ganhou o interesse do público antes mesmo de começar.

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