segunda-feira, 18 de julho de 2011

Anatomia Frozen

Direção: Marcio Aurelio
Elenco: Joca Andreazza e Paulo Marcello
Texto: Bryony Lavery
Tradução: Rachel Ripani



Sabe aquilo que nós não imaginamos como funciona, mas temos um certo fascínio? Assim é comigo e as mentes de psicopatas. Não sei porque, vai ver rola uma identificação (temam-me). Afinal, todo mundo pode ter um quê de psicopata, pelo menos é o que me pareceu ao assistir Anatomia Frozen.

Um mergulho frio na mente de um psicopata e uma história narrada através três personagens: uma pesquisadora que defende a tese de que psicopatas possuem patologia mental, o próprio estudo de caso em questão e a mãe da garotinha que foi uma de suas vítimas.

Expondo a lógica de algo que nos parece irracional motivado impulsivamente, mas é friamente calculado pelo... vilão? Seria esse mesmo o papel que assume esse personagem? Fica difícil compreender. E a complexidade de se ver compadecido de um assassino? O que nos torna? Mas também nos compadecemos da dor da mãe. E isso consola?

Reconhecemos no palco figuras humanas apesar de suas caras brancas, congeladas. Os personagens que hora dialogam e hora falam diretamente com o público, expõem algo de comum a todos nós: instinto, curiosidade e amor.

Quem assiste sem prestar atenção pode achar que nada acontece no palco, pois a movimentação dos personagens é mínima, o cenário e o cenário a a luz são básicos.

No entanto a excelência da interpretação fascina e o texto desenrola-se de maneira que a opinião de quem assiste alterna, tal qual o humor de um psicopata. Justificando perfeitamente a ausência de outros recursos cênicos mais complexos. Não era necessário.

E quem é capaz de lidar com a dor da perda? E o remorso de ter causado dor? Afinal, “A diferença entre um crime de maldade e um crime patológico é a mesma de um pecado e um sintoma”

Será?

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