sábado, 4 de junho de 2011

Território Lorca (ou Arritimia parte1 ou post #100)

Território Lorca. Foi esse o nome provisório que o pessoal da turma 44 apresentou como projeto de formatura, que ainda não se sabia qual seria o resultado final no programa da mostra de artes cênicas de 2010. Desse projeto, nasceu Arritimia. Um espetáculo que é dois. Um espetáculo que não é só isso.

Depois de cem posts (sim esse é o centésimo post) e um ano e meio de estudos, eu tenho uma melhor ideia do que é um processo de concepção de uma peça teatral, conheço melhor como funciona o espetáculo de formatura, e conheço melhor a turma 44 do que as turmas que apresentaram O que não disseram e Teatragem. Foi com eles que tive a minha primeira experiência de fazer apoio técnico em um espetáculo, com eles participei de oficinas, são encantadores, são uns lindos. Eles tem uma aura especial.

É uma turma que marca pela unidade e força do grupo e pelo excesso de mulheres. Um prato cheio para uma relação turbulenta e conflituosa, que não existe (pelo menos pra quem acompanha de fora). Não sou um profundo conhecedor da turma, mas um grande admirador, pude assistir dois trabalhos deles antes da formatura: Simples Assim (com textos de Clarice Linspector) e Espírito de Porco (Inspirado no livro A revolução dos bichos de George Orwell)

E foi então que aconteceu. Eles chegaram ao derradeiro período, o P7 e puderam escolher o caminho que trilhariam para encerrar uma trilha de três anos que não passa de um grande começo. Pela terceira vez no curso, foram orientados por Sérgio Azevedo. Já carinhosamente chamado de Pai pelo elenco.

Mais uma vez, escolheram focar suas pesquisas em um autor, dessa vez um dramaturgo, o espanhol Federico Garcia Lorca. Nesse processo entregaram os texos Amor de Dom Perlimplim por Belisa em seu jardim (1926), Bodas de Sangue (1933), Yerma (1934)
e Dona Rosita a solteira ou a linguagem das flores (1935) a Celso Correia Lopes para compor um só texto.

Para completar todo o universo da obra criada, precisaram convidar dois atores e assim surgiram os Felipes: o Jóia e o Scalza. Que entraram na mesma harmonia do grupo como se estivessem com eles desde 2008. Esses dois também marejaram os olhos na última apresentação.

O que resultou o trabalho de formatura do Núcleo 44, parece uma novela teatral com uma linguagem bem mais rica do que a da TV. As obras que originaram Arritmia compõem núcleos de acontecimentos paralelos e inter-relacionados. Em foco: casamentos e amor, sem pieguice.

O começo do espetáculo (que evoluiu muito ao longo da temporada) causa um estranhamento inicial, pois você demora a entender do que se tratam aquelas histórias tão distintas, por que elas estão ali, mas aos poucos aparecem as razões. Mas eu resumo numa breve sinopse para vocês.

Vemos o casamento de Leonardo com a sua Mulher ser narrado por Yerma. Yerma também fala de como foi seu casamento, os anos passam e a Mulher de Leonardo já se tornou mãe e ela não. Yerma quer muito ter filhos.

Então somos apresentados ao velho Perlimpim e a Belisa, uma moça que gosta da coisa. Eles se casam. Todos comentam o comportamento de Belisa, todos comentam o comportamento de Yerma que parece estar disposta a chegar às últimas consequências por desejar tanto ser mãe. As irmãs de João, marido de Yerma, vem para morar com o casal e vigiar a cunhada. Uma delas é Rosita, noiva de um homem que esta em outro continente.

Todos comentam a chegada das irmãs e o próximo casamento do Noivo e da Noiva. A noiva já teve um romance com Leonardo no passado e é prima da mulher de Leonardo. Chega o dia do casamento, eles Noiva e Noivo se casam e depois o Leonardo e a Noiva fogem juntos. Acaba assim a parte um, acaba assim o post de número 100.

Foto: Ana Paula Lazari


(CONTINUA)

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