segunda-feira, 13 de junho de 2011

De como o Encena me ajudou

Respirei aliviado no fim naquele sábado à noite. Não encarava público desde minha última apresentação do segundo período em novembro passado, mas retornar a me apresentar assim com tão pouco preparo foi desesperador. Não poderia sair bom.

Cena Ter.A.Piada
Cena Quando Voltar

Saiu bom, fiquei satisfeito e depois, um flashback me remeteu de como tudo aquilo se iniciou e me levou a conclusões ótimas sobre o que quero com o teatro, mas fui obrigado a concluir que não, não saiu bom...

Edital aberto para o Encena. Uma mostra competitiva de cenas curtas em Santo André era o algo que poderia resultar no primeiro trabalho efetivo da Cia. Atormentados, depois de tanta blablação regada a pastel e garapa. E apesar de não ser nossa motivação, quem sabe poderíamos ganhar algum prêmio?

Ficamos de pesquisar textos, falhei miseravelmente tanto para escrever quanto para encontrar algo. Inscrevemos ideias não esplêndidas, mas que soavam legais, bacanas. Foi um comum acordo e ninguém se opôs. Alguma coisa me desagradava, mas eu não sabia identificar bem o que e concordei.

Hoje identifico principais erros que cometemos. Pelo menos aprendi muito com essa exeriência, por isso não há arrependimento algum de ter errado tanto.

Primeiro erro: inscrever duas cenas. Todos nós trabalhamos, estudamos e sofremos de falta de tempo crônica por consequência dessa vida cheia.

Segundo: esqueci completamente do que vi nos seis meses do núcleo de pesquisa de encenação que deu ótimas referências teóricas de como conceber um trabalho cênico, se tivesse lembrado, usaria cena da peça do Sartre que eu já tinha um rascunho de projeto pronto para um recorte do texto Entre Quatro Paredes que tem justamente três personagens. Seria perfeito.

Terceiro erro: Faltou olhar crítico sobre nosso próprio trabalho, principalmente no que ser refere ao que falávamos, ao nosso texto. Dessa falta de olhar crítico fizemos uso do infeliz de humor preconceituoso contra lixeiros no maior estilo Boris Casoy. Discriminar nunca pode ser humor: é sempre preconceito.

Então aquela satisfação final foi na verdade um grande alívio de ter terminado. Não era uma satisfação com resultado. Apesar de o desempenho na hora do “vamos ver” superou a dos ensaios.

Uma tomada de consciência de muita coisa precisa ser mudada nesse fazer teatral - pensei.

Por questões de alguns imprevistos, eu não pude ouvir devolutiva dos jurados no dia seguinte, mas ouvi a reprodução de alguns comentários críticos com os quais eu concordo e me iluminaram a chegar à seguinte conclusão, ainda subjetiva (mas que é um progresso), sobre o que eu quero do Teatro. Ou melhor, o que não quero:

Não quero que seja vazio de sentido ou sem um propósito justo. Não precisa ser seja moralista, planfetário, ou propor profundas reflexões da alma, mas deve ser concebido com um objetivo que eu reconheça claramente qual é e concorde com o mesmo.

Concordar com esse objetivo me levará sempre a reflexão do POR QUE quero atingir tal objetivo. Nem que minha cabeça entre em parafuso, eu preciso saber a razão pela qual eu quero fazer teatro.

Não falei que minha conclusão era subjetiva? Eu já ouvir muito sobre essas reflexões, mas tinha. Em suma, meu objetivo é ter objetivos os quais eu reconheça o porque eu os tenho. Os estudos me apontam o caminho.

E ninguém tinha me falado que eu precisava ter um objetivo com o teatro? ORA, claro que sim! Ouço isso desde o primeiro dia de aula, mas o por que eu preciso desse objetivo, aprendi e senti na prática. Isso me fez identificar alguns caminhos a seguir, compartilharei em breve.

2 comentários:

  1. Kd o botão curtir daqui?

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  2. tô meio atrasadina nas minhas atualizações, cara é por essas e outras que SOU SUA FÃ!!!

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Atormenta aí!