terça-feira, 31 de maio de 2011

Aulas boas, Estética, Mercado, Trancamento...

No último sábado foi encerrado um ciclo de aulas que entraram no meu ranking das inesquecíveis, que incluem até algumas cadeiras da faculdade de jornalismo, como filosofia, arte e cultura, história. O diferencial dessas matérias nunca foi o conteúdo, mas os mestres que aparentemente são dotados de um dom especial para lecionar.

O estudo de estética teatral implica uma carga teórica considerável, densa, mas mesmo assim, apesar de muitas leituras que poderiam ser complexas nosso professor conseguiu, com os exercícios práticos, explicar melhor tudo aquilo que líamos, de tal forma que absorvíamos o conteúdo e aprendíamos de fato. As aulas de sábado, assim, não foram dominadas pelo pensamento de “eu poderia estar em outro lugar”.

Antes essa palavra, estética, me remetia a clínicas de tratamentos estéticos. Logo vi que o sentido teatral da palavra vale muito mais a pena para ter alguma lembrança. É algo que nos ajuda a compreender maneiras diversas de se fazer teatro, que se opõem e se complementam. Só ajuda.

Google manja nada de Estética

Enfim, não vou explanar aqui sobre o conteúdo que eu aprendi. Não vale a pena, pois é um conhecimento imensurável e não cabe em um post, pois não é tão simples quanto pensa, mesmo não sendo um coração.

Na derradeira aula, o professor pôde apenas contemplar. Explico: o último grupo a apresentar um trabalho, falou sobre teatro épico e fomentou um dos melhores debates vividos pela minha turma até a presente data.

Basicamente o trabalho deles nos conduziu a discutirmos o mercado de trabalho para atores. Ou a falta dele, fomos provocados por cinco alunos a refletir qual é nosso objetivo com o teatro, e porque é tão difícil chegar lá, e o que poderíamos fazer. Falta o público, falta cultura, falta educação, reconhecimento ao ofício e sobra preconceito. Mas o que nós, estudantes de teatro, podemos fazer a respeito? Não pode ser só lamentar, não pode ser.

Sabem como esse debate foi levado? Na cena apresentada, nossos colegas representavam eles mesmos e um deles dizia que precisaria trancar o curso por diversos motivos. Cena comum, típica e real. Nesse semestre até dediquei um post ao assunto. Ora, por que as pessoas desistem do teatro? Como a escola, os professores, e demais alunos aceitam isso com naturalidade? Em suma, falta perspectivas de um futuro de sucesso no teatro. Não confundam com fama! Sucesso e fama são coisas muito distintas.

O buraco é muito grande, que não conseguimos cobrir todo ele. Teatro virou mercadoria sujeita às regras de mercado? Chegamos à alguma conclusão? Óbvio que não, mas ficou claro que estamos incomodados e dispostos a pensar em soluções.

E aí está toda a graça. Se fosse fácil, não teria graça nenhuma. 

E você, o que pensa sobre isso tudo?


Um comentário:

  1. O mercado está tão ruim assim quanto o que se pensa? É preciso tomar cuidado com o senso comum... Há muitas pessoas que vivem (e não sobrevivem, apenas) de teatro ou de qualquer outra linguagem artística. Escolhas, não?

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