sexta-feira, 1 de abril de 2011

Das baixas

Eu disse baixas e não BAIXINHAS!
É um pouco complicado falar desse assunto, mas é relevante e impacta o processo de formação de ator. Não! Impacta a mim, porque sou humano! Antes de ser qualquer coisa, eu sou gente. Sou gente dessas que gosta de gente e enxergo nos outros apoio para seguir em frente e aprendendo. Quanto mais gente compartilhando experiências comigo, um tanto melhor, um tanto mais rico.
Não tão rico...

Na época da faculdade, trancar matrícula era fato praticamente irrelevante, corriqueiro e banal, isso quando era notado. Certamente algum colega trancou e eu nem me dei conta ao longo daqueles quatro anos. Também pudera, a sala tinha mais de 90 alunos! Uma diferença gigantesca para os 18 que integravam a minha sala de Teatro na Fundação das Artes no início do ano passado, mas ainda assim, arrisco dizer que pelo poder de aproximação do teatro, se fossem 90 estudando teatro, todos que interrompessem o curso seriam notados.

A Turma 48 sofreu três consideráveis baixas na última semana. Colegas, amigos, que por motivos vários acharam por bem interromper os estudos de teatro ou seguir com a jornada em outra escola.

A primeira foi a Phaola. Com PH. Ela não fez o primeiro período com a gente, pois já tinha trancado o curso há dois anos. Em uma semana com a turma, ajudando a gente a preparar o Galope, ela já era como se tivesse com a gente desde o princípio. E, com seu celular sem a mãos, rapidamente virou nossa fotógrafa oficial, registrando os momentos mais pitorescos da turma. Agora ela nos deixou pra dedicar-se a trabalhar, cuidar da saúde.

A segunda a trancar foi uma surpresa! A Pati, a também atormentada Pati. Cinéfila de carteirinha, tem praticamente um acervo de locadora na casa dela. Casa que, inclusive, já serviu para ensaios e no meu caso, até para cochilos quando eu trabalhava por perto e me encontrava com ela ali para irmos juntos à escola. Apesar de apostar na atuação, a grade desse semestre do curso não a deixava muito contente. Teatro tem disso, muitas possibilidades de se fazer, de agradar e de desagradar. Agora ela já está em outra escola, tomara que lá ela se encontre.

Já o Wallace foi um que nem se despediu pessoalmente, só por e-mail. Ele está precisando investir numa faculdade e arrumar as contas. Já é a segunda vez que ele tranca também. Como é difícil conseguir fazer teatro nesse país! Todo bom moço, o Wallace é o tipo cavaleiro e genro-que-toda-sogra-gostaria-de-ter. Sempre acalmava os ânimos e assim como a Phaola com PH o Wallace com W parecia que estava com a gente desde o início. E é triste saber que esses três não estarão mais com a gente até o fim.

Para não ser injusto, também lamentei as perdas no primeiro semestre do curso, mas elas foram mais amenas, pois conforme o tempo passa, cada vez mais nos ligamos às pessoas a nossa volta. Será que eu ainda me lembro nome e motivo da saída de cada um? A Luiza acredito que foi por problemas de saúde, o Vitor resolveu perseguir primeiro o sonho de ser colírio da Capricho antes de ser ator, o Júnior teve uma epifânia e descobriu que teatro não era muito a sua praia, o Alisson decidiu começar uma faculdade e a doida da Talita simplesmente parou de ir e nunca mais voltou e rolou um boato que ela virou um monstro de noite de terror.

E tiveram também aqueles que não saíram, mais foram saídos por reprovarem em matérias teóricas.Foram dois.

E mais do que simplesmente baixas ou números, eu sinto falta de gente. Tudo bem que grupos maiores podem ter mais conflitos, mas o conflito só enriquece o trabalho teatral (quando não acaba em porradaria). Imagina se algum motivo maior me obrigasse a trancar o curso? Mal consigo imaginar a dor e o sofrimento (e isso não é drama)! Simplesmente não consigo me lembrar de outro momento da minha vida que me senti mais pleno do que agora.

Não é fofo? Apareceu no Google quando procurei a primeira imagem do post...

Um comentário:

  1. Ai que lindo Rô!!!!
    Vou sentir saudade de tds...inclusive de vc!!
    Merda!!!

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Atormenta aí!