sexta-feira, 18 de março de 2011

Quero 2 mil

Caminhou lentamente, chegou até ele e disse:
- Pedro, empresta 2 mil?
Pano.


Imagina que essa cena parece ser simples?  Não, ela só é curta. E o professor nos passou o desafio de executar essa cena, mas com a tarefa de criar todo o drama.  É preciso praticar, o exercício de pensar uma cena em diversos aspectos.

Drama é ação, tudo que acontece numa cena. A ação precisa ter um objetivo, uma vontade e algo será a contra-vontade de forma meio que automática, como a contra-vontade do Romeu e da Julieta é a família de cada um.  Além do objetivo, a ação tem seus elementos externos: ambiente, expressões, movimentação e claro, as ações externas precisam de uma ação interna que as motivem como os sentimento , imaginação, etc. 

Outro elemento importantíssimo é a lógica, que deve estar presente em toda a ação executada.E também tem a Gênese ou Histórico do personagem. Para cada cena é preciso, pensar, estudar e planejar toda a ação.
Por exemplo, para executar a cena descrita, eu escrevi:
CENA PEDIDO DO EMPRÉSTIMO
OBJETIVO: Pedir 2 mil a Pedro para não ser demitido. 
EXTERNA: Caminhar devagar até o Pedro, evitando olhá-lo diretamente, demonstrar inquietude, hesitação, respirar fundo, ficar apreensivo, morder os lábios, franzir a testa.
INTERNA: Apreensão, expectativa, receio, medo de ser demitido, vergonha.
LÓGICA: Pedro é um bom amigo e já ajudou outras vezes, justamente por isso receia parecer abusivo e tem vergonha de pedir dinheiro. Mas não há alternativa, é o que precisa ser feito para salvar o emprego. 
HISTÓRICO: O personagem usou a copiadora do trabalho para fins pessoais e acabou quebrando a máquina. Como não tinha autorização para usar a máquina, seu chefe disse que ele teria que pagar pelo conserto e prejuízo que o tempo de manutenção traria aos negócios. O orçamento ficou em 2 mil reais para serem pagos a vista no prazo máximo de um dia. Seu chefe ameaçou mandá-lo embora caso não pague pelos prejuízos. Pedro é um amigo de longa data que vive com condições mais favoráveis e já o ajudou outras vezes, por isso resolve pedir o dinheiro emprestado a ele.
Não sei se isso tudo está certo, mas esse exercício me parece que é muito bom para uma coisa que sempre me pega: estar seguro em cena, confiante. Pois munido de tanta informação da ação, eu não fico a mercê de invencionices espontâneas, que as vezes funcionam e outras, ficam uma droga.

Um comentário:

Atormenta aí!