quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Tiro e Queda

Continuamos a ter algumas aulas de laboratório. Dessa vez recebemos mais técnicas do que investigamos processos do corpo. Mas há uma explicação! Por exemplo, talvez vocês não acreditem, mas entre os quinze alunos da minha sala ninguém, eu disse ninguém, já levou um tiro!


E ocorreu ao professor que talvez um dia seja possível que, em nossas carreiras de atores, será necessário levar um tiro em cena. Fomos em pequenos grupos a frente da sala e representamos cada coisa linda (isso foi irônico, assim, só pra avisar)! Vocês tinham que ver! Daí veio a técnica. Facilita um pouco, mas é preciso muito treino. Convencemos mais em nossas representações de levar tiro que se seguiram. A única conclusão que posso chegar é que se morre melhor, quando se pode morrer uma segunda vez. Enfim, já temos algum conhecimento para não levarmos um tiro de verdade do diretor, achei importante.

Depois dos tiros, fomos pra uma coisa mais leve: agressão física. Mesmo no teatro realista, não se bate no amiguinho de verdade, porque o ator tem que durar todas as sessões do espetáculo. Vou comentar apenas a minha performance (ego, oi): total fiasco ao bater, mas para apanhar a vida já tinha me proporcionados certas experiências e daí aquele bullying todo da minha infância e adolescência serviu de alguma coisa. Com muito custo, aprendi a bater “tecnicamente”. Mas aí a maior dificuldade de aplicar apenas é técnica é justamente a ausência de uma motivação cênica, afinal pra que eu ia bater no André, tadinho? “Professor, pode mudar de dupla pra esse exercício (6)?”. Brincadeira, amo toda a turma 48.

Seguimos no seguinte desafio: entrar em cena, tropeçar e cair. O segredo está em provocar um desequilíbrio e deixar a gravidade mostrar a que veio, mas e o cagaço de machucarmos esses rostinhos lindos, como fica? Pois é. E como tropeçar premeditadamente sem que pareça premeditado? Só bebendo pra solucionar tantos questionamentos filosóficos...

E daí fomos fazer os bêbados, você acha que é fácil ficar bêbado sóbrio? Enrole a língua pra falar, se desequilibre, alterne as emoções rapidamente, seja repetitivo, e faça – o mais difícil – o olhar do bêbado. Porque bêbado sem olhar de bêbado não é bêbado. Pois é, nem sei se fui convincente. Terminamos a aula saindo da sala bêbados, para experimentar uma interação com mais gente. E o professor ainda orienta “só façam isso aqui dentro da escola, em experiências passadas achavam que os alunos estavam saindo realmente bêbados e isso trouxe uns problemas pra escola”. Sério.

Ah! E bem no comecinho da aula, mostramos ao professor que sabemos entrar e sair do palco corretamente, sem errar nada. Até então eu nem sabia que tinha jeito errado de fazer isso, mas tem viu? E isso eu prefiro continuar não sabendo, porque já sei fazer um monte de coisa do jeito errado. Bora continuar aprendendo.

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