quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Primeiros Laboratórios

As aulas de interpretação nesse semestre são orientadas pelo Tin Ubirnatti. Começamos a realizar alguns laboratórios num sistema que até então eu nunca tinha experimentado porque minha experiência teatral antes do curso profissionalizante era apenas a de oficinas culturais sem a mínima preocupação de formar atores que apenas proporcionavam uma vivência teatral.


Na semana passada, regredimos às nossas infâncias em momentos pré-determinados: cinco anos de idade, um ano de idade e a idade da descoberta sexual, não da sexualidade, importante ressaltar porque alguns colegas ainda não tiveram essa descoberta =O (só para fazer um comentário maldoso a respeito (y)).

Enfim, enquanto improvisávamos as circunstâncias dadas, em alguns momentos o professor nos orientou a parar e refletir sobre o processo que nos conduziu ao estado que estávamos analisando o estado que estávamos: investigar como o corpo constrói aquele aspecto, qual o repertório você buscou na memória para atingi-lo. Afinal, tínhamos recordações dos nossos cinco anos e da descoberta sexual, mas como estávamos fazendo aquele bebê que dava os primeiros passos?

Trabalho de ator deve ser consciente. E essas paradas para reflexão no processo laboratorial eu achei muito interessante para disciplinar essa consciência. A partir de análises próprias, somos capazes de elencar nossas dificuldades e encontrar necessidades para aprimoramento, que devemos buscar sozinhos (obviamente, afinal escola de teatro não faz milagre).

E confesso: o pior de tudo é não saber se você está fazendo certo. Você se entrega, vai e faz sem ter a noção de estar acertando ou não. Mesmo parando para analisar como aquilo foi construído, tomando consciência das ações, como saber se o público se convenceria? O caminho escolhido foi o certo?

Ao fim da aula começamos discussões sobre a infância atual e a infância de antigamente chegando à triste conclusão de hoje em dia a infância foi morta.

Com a infância morta ou não, prosseguimos na aula seguinte envelhecendo até dizer chega e fizemos o mesmo processo de interrupções para absorver o processo individualmente criando uma consciência daquela construção. Tive 60, 80, 100 e 140 anos! Ninguém morria, nunca. Só ficávamos mais velhos e numa praça que eu só conseguia enxergar como asilo.

“Deus, como um velho reage a um tiroteio? Corre? Desmaia?” Eu fiz algo que me pareceu grave, mas o professor não entrou em detalhes. Usei da surdez do personagem para negar o tiroteio e resmungar com todos os outros velhacos que corriam desesperados. Neguei o laboratório ou encontrei uma saída? Pois é. A expressão “negar o laboratório” saiu da boca do professor, num comentário corrido no bate papo do fim da aula. E ai? Meu caso é grave?

Aí voltamos aquele principio e dificuldade número um da improvisação: aceitar a proposta. Continuaremos esses laboratórios até encontrarmos o texto nacional que dê para 15 atores fazer. É mole ou quer mais?

Um comentário:

  1. Bom... Rodrigo, aqui começo oficialmente acompanhar seu trabalho por aqui, já vou esclarecendo q escrevo muuuito mal!!!!(ortografia)
    por favor, não bote reparo seu moço!rsrsrsr
    lembra do meu comentário na nossa aula compartilhada? o incômodo de ter a sensação de estar sendo observada e avaliada a todo momento? é justamente por ter esta preocupaçaõ de estar ou não fazendo direito.Foi muito importante para mim saber q vc está no P3 e sentiu essa insegurança,obrigada por compartilhar isso conosco.
    No nosso exercício de improviso também fiz uma velha surda na padaria! hahahahahha FIZ PIOR!! na cena anterior minha parceira negou minha proposta de fugirmos do hospício, eu tentei explicar q no improviso se vc nega o jogo caímos num buraco sem fundo e logo em seguida cometi o mesmo erro!!! E aí Dr? Meu caso é grave???rsrsrssrsrrss

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