terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Não! A trajetória de um homem que só sabia dizer sim

O senhor não se chama Galigay?


O que é um nome? É apenas um nome. E um homem? Apenas um homem. Não? Claro que sim. Mas o que isso nos diz? Pergunte a Galigay. Aliás, não pergunte. Porque esse homem só sabe dizer sim. Conhece sua trajetória? Quem nos contou essa trajetória na última mostra de Artes Cênicas da Fascs foi a turma 45 em seu último exercício de interpretação antes de ingressarem no processo de formatura a partir do primeiro semestre de 2011 para estrearem em agosto.


Aplicados, dedicaram se em pesquisas sobre Berltold Brecht (o mais esgraçado é que Brecht se lê algo como Bresxte - fica a dica pra você não pagar de burrinho no meio teatral, essa coisa blasé). Brecht é um estudioso muito importante para a história do teatro com suas pesquisas. Entre outras coisas fundou o teatro épico, que não tem nada a ver com filmes considerados épico, enfim. Explico na seqüência razoavelmente.

Teatro épico é o teatro que não tenta ser outra coisa que não seja o teatro. Complicado? Na verdade é bem simples. Funciona assim: os atores não ignoram a platéia e não deixam de dialogar com ela. Não buscam que o público sinta que o que acontece no palco é a vida real. O teatro épico quebra com o realismo/naturalismo e não constrói uma quarta parede em frente ao público. Busca um espectador consciente, que reflita a respeito dos problemas levados em cena. Resumida e simploriamente é isso. (Quando falo que estou aprendendo na minha escola ninguém acredita, mas aqui está a prova).

Deixando de teorias, a turma 45 encenou “Um homem é apenas um homem” de Brexste Brecht (há!). E “Não! A trajetória do homem que só sabia dizer sim” nasceu. O resultado ficou tão bom que eu assisti a todas as sessões. Mentira! Na verdade foi bom o resultado, mas não foi por isso que eu assisti a todas as sessões. Assisti porque eu estava fazendo técnica de iluminação para a turma. E com essa coisa de teatro épico aí, o técnico da luz, vulgo eu, até ganhou uma fala para a platéia não esquecer que estava no teatro.

Eu sou fraco por músicas e eles encheram a peça delas! Tudo bem que é uma obrigação dos alunos nos semestres que contam com aulas de canto na grade, mas gosto de espetáculos com música. E sem contar o humor leve que o texto traz sem deixar de trazer grandes questões existenciais ao público para reflexão.

Por não conseguir dizer não, Galigay acaba aceitando se passar por um soldado que sumiu durante um saque e as circunstâncias e armadilhas vão o afastando cada vez mais da própria vida até que ele próprio como o soldado sepulta a si mesmo. E Galigay passa a ser tido como morto, mesmo estando vivo. Afinal, em tempos de guerra. Um homem é apenas um homem. E um nome é apenas um nome. E você anda vivendo a vida de quem? A sua própria? Tem certeza?

Um comentário:

  1. Arrasou!!!! Quanto ser aluno e estar aprendendo, relaxa... Vc vai longe!

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