segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Da experiência de se apresentar


Recortes: Um ensaio sobre Tchekov
 É impossível falar apenas dos momentos de apresentação. Estar no palco é apenas o fim, o propósito de um processo anterior. Sempre. Senão, se apresentar seria apenas dizer “oi, eu me chamo Rodrigo” e teria já me apresentado, não é mesmo ? (Ok, foi péssima)

E o meu primeiro processo não foi nem um pouco traumático, mas tampouco foi fácil e simples. Acho que no dia que fazer teatro ficar fácil e simples, vai se perder todo o tesão da coisa.

Um colega disse que encararei os primeiros leões. Considerando que o público de alunos de teatro é, de certo modo, receptivo, encarei leões dóceis (oi mãe, oi pai!).

Tivemos de Agosto até o fim de Novembro, cerca de quatro meses de preparação. Para inexperientes é pouco, mas fluiu bem apesar de acumularmos algumas angústias e tensões para o final, gerando alguns desabafos na cara do gol e ensaios lamentáveis, como esse. Fica a lição. Se o aprendizado ficou, só será possível apurar no próximo processo do semestre que vem.

Recebemos os personagens com o tempo hábil para investigarmos e construí-los. E não se enganem: nenhuma escola de teatro ou professor é capaz de ensinar como fazer isso, eles mostram os caminhos e cada ator se vira para desenvolver um processo pessoal de pesquisa e construção. Houve outras lições pré-apresentação, algumas até já comentei aqui. Prefiro partir para o que foi aprendido nas cinco apresentações:

1. Público muda tudo. É óbvio e trivial que tudo o que foi ensaiado fica diferente em frente a uma platéia, mas cada platéia é diferente. Como a minha cena era monólogo de um personagem que falava com o público pude sentir muito isso. Cada platéia se conquista e fazer isso não é fácil.

2. Energia de grupo muda tudo. É um fator fundamental o grupo estar em sintonia, completos, inteiros. Tivemos um primeiro dia de apresentações não muito boas e o problema foi principalmente esse. Já no domingo as vibrações eram outras e as apresentações, pra mim e para a turma, foram às melhores. Quarta-feira, depois de uma quebra de dois dias nas apresentações, decaímos. Mas por causa dessa energia.

3. Concentração muda tudo. Não aprendi isso só agora, mas pude constatar que é fato incontestável e indispensável

4. Ritmo e Fluência podem fazer um espetáculo ser uma lástima ou esplêndido, ajuda na sintonia com o grupo e a conquistar a platéia e mantê-la com você. Os exercícios do primeiro dia, por exemplo, não tinham um bom ritmo e fluência.

5. Impressões variadas da platéia. Tem gente que adora e vibra, há quem deteste ou goste de partes, mas compreende a proposta e blá-blá-blá. Mas aqui falo de gosto. O importante é buscar daquele que odiar, considerações e ponderações a respeito da qualidade da interpretação especialmente.

Se eu continuar pensando, posso listar uma vida de aprendizado dessa apresentação. Se eu pensar sobre todo o ano de 2010, nem se fala! Sinto o peso de não conseguir me organizar para relatar diariamente, encontro por encontro. Pois muita reflexão e aprendizado por mais que fiquem comigo, se perdem depois do momento. Das promessas que faço para 2010: mais posts atormentados.

Um comentário:

  1. Pois é,um exercicio dificil e quem sabe até complicado.Muitas tensões e extravasos(é assim que escreve?) se assim posso dizer,mais em troca um belo aprendizado que adorei ter.

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Atormenta aí!