quinta-feira, 18 de novembro de 2010

E agora, Tchekov?

Tivemos nosso último ensaio-geral antes da apresentação que se transformou em apenas um ensaio. E ainda hoje teremos o nosso penúltimo, talvez.

Acontece o seguinte: foi um fiasco (coloque aqui uma pausa dramática na sua leitura). Passamos tudo e não ficou bom, era perceptível que não chegaria ao público se apresentássemos pra valer daquela forma. A boa notícia disso é que durante todo o processo desse semestre, já acertamos separadamente em momentos específicos, então há uma referência do que deve ser buscado para conseguirmos o nosso principal objetivo em cena: convencer, ser humano.

O problema que se apresentou ontem é diferente: como o grupo pode acertar? Alguns palpites são bem aceitáveis, o mais óbvio de todos é melhorar a postura e a sintonia de todo mundo para que de fato haja um grupo. Isso rendeu muita conversa, todos puderam falar de suas impressões, medos, da insegurança. De certa forma desabafamos e refletimos sobre o nosso processo.

E concluí que como apresentaremos cenas de textos distintos e fizemos muito mais ensaios separados do que coletivos, estamos com muita dificuldade em deixar o pensamento “minha cena” de lado para pensar em “nosso exercício”. E essa ideia é extremamente importante, e a solução terá que vir.

Mas nem tudo é coletivo, a concentração e o preparo individual de cada ator - aquela sem fórmula e sem receita para se fazer do melhor modo - foi uma coisa ausente no ensaio de ontem também. Eu mesmo não me concentrei e não me foquei antes de entrar em cena.

Fosse antes de estudar teatro, eu estaria desesperado numa situação dessas e já começo a enxergar algumas escolhas certeiras na nossa grade curricular. Não foi a toa que tivemos um semestre inteiramente dedicado a uma matéria chamada Integração que além de ajudar o grupo a ser um grupo, entre as tarefas teóricas tivemos a leitura do livro O ator invisível, escrito por Yoshi Oida, que previa ou dava exemplos claros de situações que agora vivemos e até sugere algumas formas para se tentar possíveis soluções.

E o que eu consigo fazer individualmente para que o grupo acerte? Não há certo ou errado, o propósito de tudo isso é o aprendizado e estamos aprendendo. Nem que seja a duras penas. Eu particularmente estava com uma enorme dificuldade de concentração ontem, e nem foi pela minha alergia atacada que eu queria usar como desculpa agora no texto. Foi por não me dedicar em me concentrar e não encontrar a energia necessária para fazer o que era preciso e não tem jeito. Essa é uma busca individual, mas eu acho que sei como fazer.

E hoje eu acordei empenhado em fazer diferente dessa vez, e também estou empenhado em trazer todo mundo comigo lá pro alto. Nem o sono de quem dormiu só três horas e está tomando remédio antigripal que aumenta a sonolência me leva pra baixo hoje.
Hoje vai dar merda! Como nunca deu merda antes! No sentido teatral da palavra.

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