sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Texto Ensaiado

Na demora com justificativas mais do que louváveis para escrever sobre as aulas, acabo acumulando impressões que não sei nem por onde começar, tentando por as idéias em ordem, a primeira coisa que me vem a mente é a respiração.

Dizer que respirar é fundamental pra vida é ser redundante, mas fazemos isso de tal maneira tão automática que nem sequer reparamos o modo como a entrada de e a saída de ar dos nossos corpos acontecem de maneiras diferenciadas, quando estamos nervosos respiramos de maneira completamente oposta ao modo que respiramos quando estamos com sono. Aliás tenho estado com muito sono ultimamente.

Tivemos uma aula na qual respiramos de diversas formas. É incrível notar que partindo da respiração fica muito mais simples captar uma sensação. Antes de gritar como alguém nervoso, respirar da maneira que uma pessoas nervosa respira. Muita gente da turma teve progresso na interpretação após essa aula.

Já que falo das aulas de interpretação, ainda não trouxe a público o que iremos interpretar nesse semestre na mostra da Fundação das Artes como exercício apesar de já ter cantado a bola nesse texto. Faremos textos de Antón Tchecov (ou Tchekov?), dramaturgo russo. É de uma responsabilidade imensa interpretar esse autor, ainda mais já sabendo que no meio disso teremos cenas de suas principais peças, como A Gaivota, Três Irmãs e Tio Vânia.

Escrevi esses quatro primeiros parágrafos há duas semanas e agora que retomei. Enfim, nosso exercício até já tem nome (foi muito difícil chegar a ele): "Recortes. Ensaio Sobre Tchekov". E também já temos os papéis definidos. Uma dura tarefa para nossa diretora/professora, Ana Paula.

Gentil, ela ouviu de cada um, qual personagem que gostaríamos de fazer. Claro e evidente: não foi possível agradar todos os 14 alunos/atores. Pois não foi o meu caso. Terei que lidar com a frustração de não fazer o que eu quero em outro momento, mas esse dia vai chegar. Tenho certeza absoluta. E vou chorar as mágoas aqui.

A professora comentou que, quando tinha lido o texto que vou fazer, já tinha pensado em mim para o personagem. E isso me deixou, naquele momento, me sentindo prejudicado. Explico: todos nós testamos várias cenas do autor, trocando personagens e recebendo um certo retorno sobre o trabalho, dizendo se tinha ficado bom, se não, o que melhorar, o que trabalhar, enfim. E quando ela comentou essa decisão, tive  a impressão que esses comentários em outras cenas que fazia eram escassos, raros, por justamente ela já ter como certo que eu não faria nenhuma daquelas cenas.

Mas como eu já disse, isso foi uma impressão que tive no dia da distribuição dos papéis e que já passou (mania de conspiração).  Os motivos estão até registrados aqui, quando eu falei de beber água como um robô, por exemplo. E até porque na ultima aula, por exemplo. Foi a primeira vez que passamos o exercício do início ao fim, e fui um dos que mais recebeu recomendações, pontos a serem trabalhados, sugestões. Enfim, tenho muito trabalho pela frente.

Eu tinha comentado essa impressão com minha colega fanfarrona, Thais. E depois dessa última aula que lançou:

- Você não queria ter feedback? Não é pra reclamar.

Queria mesmo. E não reclamo, só espero conseguir progresso. Pra não acabar frustado. E acreditem ou não, agora volto ao assunto inicial. Pois entre as recomendações escutei:

- Você precisa trabalhar a respiração, respire mais.

E assim caminho. Voltando ao começo e tornando a repetir. Ensaio.

Um comentário:

  1. Ah, fanfarrona não! rsrs...aí é demais! Sou uma pessoa séria! Contenha-se! hehe...bora ensaiar, colega, ainda somos embriões na proveta!

    ResponderExcluir

Atormenta aí!