sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Saco-Cheio, Cocoricó, Lamartine e Núcleo de Encenação

Tive na semana passada um respiro. Respirar é sempre importante, no fim das contas. Foi a nossa “semana do saco-cheio”. Tratou-se de uma semana com potencial improdutivo devido ao feriado do dia 12 mais o dia dos professores que é a única classe trabalhadora que tem o merecido privilégio de não trabalhar no seu dia.


Apesar disso, não houve assim um descanso largado. Afinal, tarefas e estudos não me faltam. Tanto que tenho que ver como administrar tantas tarefas. Chega o momento que escrever aqui um pouco é a minha ultima cartada para tentar me organizar melhor. Mas falemos antes do que veio antes: a semana que passou.

No dia das crianças, tive uma grande alegria e decepção. Comprei ingressos para levar meu sobrinho ao Cocoricó Show de Horror. O programa da televisão tem todos os quesitos de qualidade e podemos nos orgulhar de produzir algo que as crianças possam assistir tranquilamente, sem nenhuma ressalva. A alegria é que ele gostou e a decepção minha foi que o espetáculo não teve a mínima preocupação de qualidade teatral ou estética. Pareceu que confortáveis em usar uma marca que vende (o teatro estava lotado), não foi preciso mais do que tocar músicas em off e colocar pessoas vestidas de bonecos (feios e mal-feitos, olhe a foto) dançando. O resumo da ópera: paga-se para ver no teatro algo que na TV, de graça, é imensamente melhor.



Direto do Feirão de Automóveis para o palco.

Passado o dia das crianças, no dia 13, o Sesc de Santo André trouxe o espetáculo Lamartine Babo, com texto do Antunes Filho e direção de Emerson Danesi, uma produção do CPT (Centro de Pesquisa Teatral). O Sesc sempre zela pela qualidade do que apresenta. Paga-se barato por bons espetáculos. Não foi diferente. Eu não fazia idéia que Lamartine era o nome de um compositor brasileiro de várias marchinhas de sucesso, hinos de times nacionais, entre outras músicas conhecidas e diversas vezes regravadas. Agradável aos ouvidos, apesar de alguns colegas mencionarem que uma atriz desafinava, detalhe que eu não reparei, não. Sempre tenho inveja ao ver atores-músicos-cantores em cena: mal e porcamente eu apenas atuo. E só.

O espetáculo soa como uma homenagem ao compositor, não é biográfico, tampouco narrativo. E aqui encontro aquela dificuldade embutida em todo ser humano criado na base de filmes de Hollywood e novelas globais: não tem uma historia, sequer sabemos os nomes daqueles personagens que ensaiam apenas músicas de Lamartine Babo e recebem a visita de um misterioso homem apreciador e conhecedor das músicas do compositor. Como na vida, é um dia apenas de um grupo que ensaia, com um fato atípico. Sem grandes conflitos.

- Acabou?

A pergunta é respondida com os atores vindo a frente e dando as mãos. Aplaudo sem entender, gosto do espetáculo sem entender e não gosto ao mesmo tempo.

Enfim, minha semana de folga se encerrou no domingo de manhã, com a volta das atividades normais o núcleo de pesquisa de encenação. Ganhei mais dois personagens e duas cenas para me preocupar até o fim do ano, além de ter que dirigir também uma cena. Temo. Irei dirigir uma cena do texto Entre Quatro Paredes, de Jean - Paul Sartre. Escolhi esse texto, que gosto muito, deixando de lado a minha idéia fixa de adaptar algo do meu amigo e escritor Rafael Pelvini. Frustrado, pois ainda que eu goste do texto, foi uma escolha pautada pelo o que acredito que será mais simples devido o pouco tempo disponível. Lamentável.

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