terça-feira, 31 de agosto de 2010

Sobre falar mal e beber água

Não vou me contentar se não fizer mais um post hoje para relatar a última aula de interpretação, onde temos passado grandes e significativas experiências. Duas coisas me marcaram no último sábado.

Após a apresentação da cena de uma dupla, que não tinha ficado boa, a professora forçou a barra para que os alunos, que estavam assistindo fizessem a crítica. Depois de alguns comentários soltos e várias “o que mais?” depois, ouvimos algo mais ou menos assim:

- A gente não pode passar a mão na cabeça, e nem temos que nos preocupar em detalhes, explicar o motivo. Se não colou, se não convenceu, não pareceu real, a temos a obrigação de falar. Como conseguir convencer, ser realista? Isso já é um problema do ator, mas é importante que a gente fale, pois isso os ajudará a melhorar. E isso vale para todos nós, porque todos estamos buscando a humanidade na nossa representação.

E como ela está certa, crescemos em ambiente escolar onde nunca foi politicamente correto criticar abertamente o que nossos colegas fazem, afinal ninguém é melhor do que ninguém, e realmente ninguém o é, mas essa politicagem acaba sendo pior e geram comentários paralelos desagradáveis.

Ora, o termômetro do ator é o público, nós, enquanto um grupo ensaiando, às vezes representamos e as vezes observamos. E os dois exercícios, tanto o fazer quanto o ver, são muito importantes. “Vocês não podem ter receio de falar alguma coisa porque a pessoa é sua amiga”, e isso acontece.

Eu mesmo tive algo estranho em cena nessa aula. Montei um “corpo neutro” que não ficou real em cena, não condizia com o texto que eu falava. Em dado momento, eu bebia um copo d’água, disseram que parecia um robô.

- Bebe um pouco d’água agora, como você bebe em casa – Solicitou a professora quando terminei a cena.

- Sabia que você não bebia água desse jeito – E ela reproduziu a forma que eu fui até a mesa e ergui o copo.  Bizarro.

2 comentários:

  1. Desde criancinhas somos reprimidos né rsrs. O problema é que com essa prisão que nos colocam, ficamos mesmo com receio de falar o que não achamos legal por parte do outro e é até difícil da gente ouvir uma crítica a nosso respeito também. Eu pelo menos, fico muito sem graça quando recebo críticas, mas lógico que não levo a mau... Tenho medo de fazer críticas porque muita gente leva para o lado maldoso da coisa.

    Legal seu relato da aula de teatro e assim... beber água como robô ou como humano... dos dois jeitos é muito importante. Água hidrata hehehe


    Se quiser, passa lá no meu blog: http://adrianawords.blogs.sapo.pt/

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