quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ser Humano

Nada simples. Hoje lembramos da citação do Terêncio que, segundo nosso professor Warde, os atores deveriam tê-la tatuada nas pálpebras internamente para ler sempre que fechar os olhos e nunca esquecer: “Nada que é humano me é estranho”.

Essa tem sido a nossa busca nas aulas de interpretação: sermos humanos, buscar a humanidade naquilo que fazemos em cena com gestos e palavras.  Confesso que não é algo fácil, mas a pesquisa muito me atrai e me encanta. Na busca por referências, estamos partindo do humano que mais conhecemos (ou assim deveria ser): nós mesmos.

Como você viveria naquela situação? Interpretando uma cena da peça O Urso de Antón Tchecov, numa linha que a personagem dizia “houve um tempo em que...” e citava diversas coisas que já fez apaixonado como “recitar versos” ou “suspirar ao luar”. A professora interveio:

- E você, Rodrigo? Houve também um tempo em que você fazia alguma coisa, não houve? Me conta.

Entre longos espaços de tempo, citei cartas que escrevia, discursos que ensaiava em frente ao espelho, entre outras coisas. Nesse momento eu percebi. De tão preocupado em dar o texto corretamente, não me preocupei com a intenção e não vivia cada palavra que estava falando. Assim, quando eu falava que “amava” estava preocupado com a dúvida se a próxima palavra seria “sofria” ou “suspirava ao luar”. E isso não dá para convencer de que o personagem está de fato se lembrando daquelas coisas.

Então, quando eu falei das minhas experiências,  me lembrei de fato das cartas que até a preocupação de perfumá-las eu tive, tive um tempo de reflexão e me lembrei de como eu sempre penso mil vezes a melhor forma de me declarar e ensaio pateticamente enquanto ando pela rua e etc. Mas ali fui convincente, humano. Pois me lembrava de fato das coisas que fazia. E assim deveria fazer ao dar o texto do Smirnov, sentindo as palavras.

A preocupação com o texto foi tanta que nem soube ser um espectador crítico dos meus colegas, minha atenção era nas falas, para ver as diferentes intenções e perceber se eles esqueciam ou não. Não consigo precisar se eles foram (ou não) humanos e convincentes nas cenas. E a gente precisa ter esse olhar para ir aprendendo cada vez mais.

Para sábado, temos já outro texto para trabalhar. Tenho algumas outras experiências para relatar, das aulas de relação interpessoal, estética e artes visuais. E um turbilhão de muitas outras coisas.

Um comentário:

  1. Humanidade...verdade...realidade...o eu mesmo transformado num outro eu, numa outra essência. Acho que é por aí...rs

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