terça-feira, 6 de julho de 2010

Justa Cólera

Até a data presente, tudo que eu já vi montado de Plínio Marcos, tanto no teatro quanto no cinema me agradou. Ainda não li as obras dele, mas é algo que pretendo fazer em muito breve e sei que invariavelmente vai acontecer.

A turma 46 da fundação, com direção de Tin Urbinati, trabalhou com quatro textos do autor nesse espetáculo: Dois perdidos numa noite suja, Homens de papel, Navalha na carne e Mancha roxa.

Concordo quando o diretor explica no programa que “as peças de Plínio Marcos são atualíssimas. Elas precisam estar o palco, encenadas e não apenas nas prateleiras das bibliotecas”. Mas talvez, trazer ao mesmo tempo tantos textos do autor para o palco seja demais para o que o público pode suportar. Mesmo sendo a realidade ainda mais dura e mais cruel, algumas pessoas costumam ir ao teatro buscando uma fuga das tragédias diárias.

Sempre que vejo algo com cunho mais político e engajado no Teatro penso no quanto a arte tem força de expressão e ao mesmo tempo não vejo espaço para novos trabalhos com esse sentido. Enfim divago se há de fato algum potencial mobilizador na arte ou se apenas são feitos recortes da sociedade.

Tanto que ao sair da peça, senti um misto de impotência e ímpeto de fazer algo em relação a tudo o que foi apresentada ali, uma espécie de raiva justa. Justa cólera, com toda razão. Tem um monte de coisa errada acontecendo e as vezes a gente nem sequer percebe, não se incomoda, fica indiferente.

Isso é tão verdade que os atores trocavam de lugar em alguns momentos, se alteravam para fazer as mesmas personagens. Mostrando que a pessoa marginalizada não tem rosto, nem sequer reparamos ou que aquelas histórias se repetem de diversas formas inúmeras vezes e que não importa de quem é aquela história, mas de quem é aquele problema. Que é nosso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Atormenta aí!