sexta-feira, 7 de maio de 2010

Eugênio Barba

O que poderia ter sido apenas uma simples ida a uma conferência ou palestra, como preferir chamar, acabou tornando-se uma aventura.

Sem ter jamais ouvido falar nesse diretor italiano, fui com outros colegas de sala ter a experiência de escutar alguém que não se sabe muito bem quem é, sabíamos apenas que era alguém relevante.

Ao chegar, por volta das 19h, descobrimos que relevância de Eugênio Barba era uma fila bem gigante, de dobrar esquina, do lado de fora do Teatro. Não conseguimos ingressos, porém como a logística da distribuição das entradas foi muito desorganizada, houve pessoas que chegaram às 17h e não conseguiram ingressos pois a maioria das pessoas que chegavam não ia ao fim da fila. Sabe, esse povo do Teatro é tudo muito amigo.

Não sei por qual razão continuamos na porta, e muita gente ficou ali. Gritavam “chão, chão, chão” para mostrar como poderíamos aceitar nos acomodar de qualquer forma dentro do Teatro Sérgio Cardoso para assistir à conferência.

As portas de vidro continuaram trancadas e mesmo com todo aquele aglomerado de gente, eu estava ainda ali. Eis que vejo a porta se abrir e as pessoas entrando correndo desesperadas. Eu entrei também e subi as escadas muito rápido (não me pergunte).

A administradora do Teatro disse que a tranca da porta foi quebrada (não fui eu) e basicamente invadimos o local. Mas isso eu fui saber só quando eu já estava lá dentro, no hall em frente à entrada do teatro onde obviamente que fomos barrados com uma série de “psiu” e “silêncio”. O que se seguiram foram negociações e espera.

O programado eram algumas demonstrações que começariam às 19h30 e então, aproximadamente às 21h, o Eugênio daria início à palestra. Depois de muita espera e conversas com administração do teatro e produção, consentiram que entrássemos para assistir a palestra, com a condição de permanecermos em silêncio.

Eugênio Barba passou pela aglomeração do Hall próximo de mim, pedindo licença, um pouco antes de liberarem nossa entrada. Eu associei fisionomia dele a da foto que eu tinha visto, mas também considerei que muitos senhores simpáticos de cabelo branco são semelhantes. Mas era ele próprio mesmo, como pude verificar depois.

Licença?

Por fim, entramos organizadamente e nos acomodamos no chão dos corredores laterais sem atrapalhar o fluxo das pessoas.

Sobre o que ele expôs, não digo que ouvi grandes novidades ou revelações, mas todo o conteúdo foi interessante pela forma exposta. Ele começou levantando uma série de questionamentos fundamentais para se pensar numa Antropologia Teatral.

Ele abordou, sempre relatando as experiências de seu grupo, a individualidade de cada ator, vivências anteriores que contribuem para o grupo, processos de aprendizagem, consciência corporal, liberação dos reflexos condicionados pela sociedade, disciplina, entre outros temas.

Eugênio compara a importância do trabalho do ator com a de um cirurgião: concentrado, preciso, e por mais que seja diversas vezes repetido, nunca será idêntico.

Foi fundamental para a minha formação assisti-lo, além da oportunidade de conhecer pessoas de outros lugares que se também se estapearam para entrar. Valeu a pena todo o esforço: ônibus, metrô, caminhada, invasão, negociação, etc.

Um comentário:

  1. Aventura...isso na verdade foi um laboratório de repertórios para as futuras improvisações...hehe

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