quarta-feira, 28 de abril de 2010

Filha da Anistia

Três das recentes peças teatrais que eu vi, foram ótimas. Contudo elas estavam em fim de temporada ou em apresentações únicas e não há uma previsão precisa de reapresentação. Vamos a uma delas:

Filha da Anistia 






Eu tenho um particular interesse* com tudo que resgata o final dos anos 60, pois para uma mesma história dessa época existem diversas versões ou existem ainda histórias que foram forçadamente esquecidas. Contudo, reconheço ser impossível se ter uma idéia real do que foram os anos da ditadura no Brasil sem tê-los vivido, mas todo o resgate da nossa história é sempre muito válido.

E é justamente sobre versões diferentes de uma história que o espetáculo se trata: a personagem Clara recebe uma carta póstuma da sua avó na qual é revelado que o pai dela está vivo. Então ela vai atrás de conhecer a verdade oculta durante 30 anos de sua vida e ao se encontrar com um velho recluso no interior de São Paulo, que diz conhecer o pai dela, as histórias que ela desconhece começam a acontecer em cena, com flashbacks.

O texto foi escrito pela própria Carolina Rodrigues que interpreta Clara. Eu sou a Clara. E muito provavelmente todos meus colegas são. Estudamos a ditadura na escola como um simples capítulo de nossa história, sem menções à tortura, presos políticos, pessoas que desapareceram para sempre. Em uma conversa de trinta minutos com algum militante político.

Essa é a importância desse espetáculo: abordar um tema que seria mais cômodo “deixar pra lá”, afinal, passou. Colocar o dedo na ferida faz lembrar que dói, que ela está ali há tanto tempo e deixando cada vez mais seqüelas.

* O Livro-Reportagem da minha conclusão do curso em Jornalismo também remete a essa época, contudo pesquisamos Geraldo Vandré (isso inclui entrevistá-lo). E o conceito comum sobre o músico é de um cara que ficou louco de tanto que sofreu na Ditadura. Não foi bem assim. O resultado está em “Eu nunca fui assim – A (des)construção da imagem de Geraldo Vandré”.

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