terça-feira, 20 de abril de 2010

Conheçam Perdão, Gislaine

Conheçam um pouco de Gislaine Perdão (tá perdoada), 37, atriz e professora de Artes que passou por diversas experiências de formação teatral. Ela foi a minha professora há 8 anos atrás nas oficinas de Teatro oferecidas no pela prefeitura de São Bernardo do Campo no Juventude Cidadã e também passou pela Fundação das Artes de São Caetano do Sul (FASCS) na década de 90, época que o curso profissionalizante durava 2 anos (hoje dura 3 anos e meio).

Porém, antes dela ingressar na FASCS, já havia concluído a faculdade de Educação Artística com habilitação em Artes Cênicas na FATEA. E mesmo já possuindo uma graduação que permitisse o seu registro profissional como atriz, não considerava ter o conhecimento suficiente e ingressou na Fundação das Artes de São Caetano do Sul. E depois disso, fez ainda diversos cursos na Escola Livre de Teatro em Santo André.

Essa entrevista foi uma lição de casa para as aulas de Integração. A idéia era entrar em contato com pessoas que já passaram pela formação de ator na tanto na FASCS e em outras escolas. Essa versão é editada e resumida, uma vez que posts longos possuem baixo ibope. Clique aqui para ler toda a transcrição.

Oportuno comentar que ela deu bastante relevância ao fato da FASCS não ouvir seus alunos à época que estudou ali. E justamente hoje vai acontecer um Fórum da Escola de Teatro na Fundação. Uma prática recente onde os alunos podem falar, questionar e sugerir. Esse, para mim, é o evento mais esperado dessa semana de aniversário da escola. Espero voltar satisfeito. Vamos à entrevista:

Como você avalia a Metodologia de Ensino da FASCS?
Gislaine: Mudou muito. Na minha época era­­m coisas prontas. Eram sempre as mesmas coisas todos os anos. Eram os mesmos textos todos os anos. As pessoas que já tinham passado e estavam um semestre à frente, já sabiam como ia ser. Já tinha até o figurino já para as cenas que iam fazer, nas provas de voz por exemplo. Era meio previsível, o Tin montava sempre Plínio Marcos. O Dresler sempre Grego.

A Morte de Afonso VI...
Gislaine: Rei de Leão e Castela quase no fim da primeira década do século XII...
Então! Com o Dresler eu aprendi a vibrar o R. Eu sei falar porta. Não tenho mais problema com isso. Aprendi com o Dresler. Mas foi ainda na FATEA, por que ele já tinha sido meu professor lá.

Só que eu peguei todo um jeito meio falso de fazer teatro. Porque faço tudo muito exagerado: o jeito de interpretar, de falar e é difícil depois você diminuir, enxugar as coisas. Depois eu descobri que o nome disto que faço é over-acting.

Durante o curso você sentiu falta de algum complemento pra sua formação?
Senti falta dos professores me ouvirem. Quem fazia isso algumas vezes, era a Lídia. Ela me ouvia. Eu consegui fazer cenas com ela com coisas que eu queria dizer. O problema da Fundação era que não tinha uma escuta mesmo. Um olhar para “quem são esses meus alunos? O que eles querem estudar? O que eles precisam estudar?

Esse foi seu maior obstáculo durante o curso ou teve outro?
Gislaine: A maior dificuldade naquela época foi a convivência em grupo. Não era uma turma homogênea. Essa era a maior dificuldade. Hoje eu sei que o problema na verdade era o tamanho do ego de algumas pessoas, não sabíamos lidar direito com isto e os professores pareciam não perceber esta nossa dificuldade.

Como foi o processo de montagem da sua turma você lembra? O que vocês montaram?
Gislaine: Lembro. Foi a pior coisa que eu fiz na minha vida. O “Inspetor Geral” com direção do Tin. Eram duas horas de espetáculo e você conseguia ver todo mundo dormindo na platéia, era um saco, até a gente tinha sono na coxia.

Eu e queria montar Brecht ou Plínio Marcos, que o Tin sempre montava. Mas alguns colegas minha turma incentivaram que montássemos algo diferente. E na verdade como os professores nunca nos ouviam, então nem sabíamos que podíamos ter uma opinião sobre alguma coisa, era uma maioria de “tanto faz” do primeiro ao último semestre.

Mas fizemos um monte de outros trabalhos legais. Como “Os Sete Gatinhos” com o Alexandre Dresler, “O casamento forçado” com o Seme Luft. Mas a formatura mesmo foi uma merda.

O que mudou na sua visão de mundo depois que você estudou Teatro?
Gislaine: Eu já fazia Teatro quando eu fui para a Fundação das Artes. O que mudou foi essa possibilidade de conhecer gente que trabalhava com isso, de ver como um emprego, como a possibilidade de trabalho. A gente fazia teste, era remunerado. Conhecer gente que vivia disso, saber que era sim possível viver disso.

O que é ser ator?
Gislaine: ­­Ser ator é ser ouvido. Eu, enquanto atriz, não tenho a mesma voz que eu tenho em sala de aula, enquanto professora. Acho que ser ator é poder ser ouvido.

É uma grande responsabilidade: o que eu quero que ouçam? Essa era uma preocupação que eu não tinha, mas hoje eu tenho.

E quando fui sua professora eu já eu tinha. “O que vocês querem falar?”. Porque é uma coisa que me fez falta na Fundação. O que eu quero fazer? Qual o personagem que você quer fazer? Era uma escola de Teatro, não era o que eu penso de arte. Não é o que eu penso.

2 comentários:

  1. Acho que estamos no caminho, meu caro...podemos construir um novo caminho pra nossa formação, basta querermos! Bjs

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