segunda-feira, 5 de abril de 2010

Afonso VI

Se você não sabe quem foi Afonso VI qualquer ex-aluno de Teatro da FASCS, mesmo os desistentes, saberão te contar. Faça o teste. Eu garanto:

- Afonso VI, rei de Leão e Castela, aquele cuja morte deu inicio a acontecimentos ainda mais graves do que os por ele previstos? Claro que eu sei quem foi!

Nosso amado professor de voz, o Alexandre Dressler, sempre utilizou o texto O Bobo de Alexandre Herculano como um exercício e também como prova vocal. Chega a ser um símbolo de identificação atemporal entre todos os alunos e ex-alunos. Esse texto é a introdução da obra do autor. Já perdemos as contas de quantas leituras de diversas formas fizemos desse texto. E a minha leitura ainda não está saindo redonda.

Para se ter uma idéia de quão nos é simbólico esse personagem, o nosso professor de História do Teatro, Warde Marx,  que se formou na 1ª turma profissionalizante da Fundação (eu sou da 48ª) tirou até foto da estátua de Afonso VI quando viajou à Espanha. Provavelmente só para contar o feito ao seus alunos

Admire, você também, Afonso VI e sua história:


"A morte de Afonso VI, Rei de Leão e Castela, quase no fim da primeira década
do século XII, que deu origem a acontecimentos ainda mais graves do que os por ele
previstos no momento em que ia trocar o brial de cavaleiro e o cetro de rei, pela
mortalha com que o desceram ao sepulcro no Mosteiro de Sahagun. A índole inquieta
dos barões leoneses, galegos e castelhanos facilmente achou pretextos para dar
largas às suas ambições e mútuas malquerenças na violenta situação política em que
o falecido Rei deixara o país. Costumado a considerar a audácia, o valor militar e a
paixão da guerra como o principal dote de um príncipe, e privado do único filho varão
que tivera, o Infante D. Sancho, morto em tenros anos na batalha de Ucles, Afonso VI
alongara os olhos pelas províncias do império, buscando um homem temido nos
combates e assaz enérgico para que a fronte lhe não vergasse sob o peso da férrea
coroa da Espanha cristã. Era mister escolher marido para D. Urraca, sua filha mais
velha, viúva de Raimundo Conde de Galiza; porque a ela pertencia o trono por um
costume gradualmente introduzido, a despeito das leis góticas, que atribuíam aos
grandes e até certo ponto ao alto clero a eleição dos reis. Entre os ricos homens mais
ilustres dos seus vastos estados, nenhum o velho Rei achou digno de tão elevado
consórcio. Afonso I de Aragão tinha, porém, todos os predicados que o altivo monarca
reputava necessários no que devia ser o principal defensor da Cruz. Por isso, sentindo
avizinhar-se a morte, ordenou que D. Urraca apenas herdasse a coroa desse a este a
mão de esposa. Esperava por um lado que a energia e severidade do novo Príncipe
contivessem as perturbações intestinas, e por outro que, ilustre já nas armas, não
deixaria folgar os ismaelitas com a notícia da morte daquele que por tantos anos lhes
fora flagelo e destruição."

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