sexta-feira, 19 de março de 2010

Heiner Müller em Repertório

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O espetáculo Heiner Müller em Repertório traz uma proposta estética integrada a mídias áudios-visuais. Projeções em vídeo, áudio, coreografias,  figurinos, maquiagens, performances e textos pesados compõem o espetáculo que joga no espectador diversas informações ao mesmo tempo, provocando confusão, deslumbramento e sensações indescritíveis. Seria essa a intenção?

Mesmo estando confuso é preciso lembrar-se de piscar, pois as imagens compostas pelo conjunto da obra prendem a atenção de forma hipnótica: são belas. As personagens caminham lentamente, narram suas histórias, declamam textos, dublam o áudio, hora dançam e hora fazem paródia, enquanto as projeções em vídeo e os sons vão em sincronia com o clima criado (geralmente pesado).

Evidentemente que o espetáculo composto de três peças de Müller (Medeamaterial, Hamletmaschine e Descrição de Imagem) causa algum estranhamento, confusão. É diferente, incomum. Não estamos acostumados. Toda novidade causa impactos positivos e negativos.

As duas primeiras peças do repertório chegam de forma mais condensada, trazem personagens que ao menos já se ouviu falar: Medéia e Hamlet. Nesses dois, tudo parece estar dosado na medida certa, o texto, os gestos, o som, o vídeo. Mesmo sendo muita informação jogada, tudo aparece com fluidez. Importante lembrar que não há corte entre uma e outra peça elas transitam de forma natural e bem amarrada, sem aviso prévio.

Já na última, não há uma dosagem moderada do recurso de áudio com voz em off. É utilizado todo tempo, remetendo a documentários televisivos sobre animais. Esse som predomina ao mesmo tempo em que a bela coreografia acontece no palco. Fica muito mais confuso, denso e pesado. Chega a ser incompreensível. A dica de que o espetáculo acabou surge com os atores vindo à frente do palco e dando as mãos: aplaudam.

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